O aumento na composição para 10% de biodiesel no diesel vendido nas bombas de postos de combustíveis deve valer até 2019. Portanto, a lei que eleva a mistura, atualmente em 7%, já foi aprovada no Congresso Nacional e segue para sanção da presidente Dilma Rousseff. O projeto foi aprovado de forma unânime no Senado e na Câmara dos Deputados. Resumindo, o diesel na bomba terá 10% de biocombustível até 2019

A mistura do biodiesel terá aumento gradual. Em primeiro lugar, um ano depois que a lei for sancionada, o diesel vendido nas bombas já terá 8% de biocombustível. No ano seguinte, 9% e, posteriormente, 10%.

A União Brasileira de Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), tem expectativas de que a medida reduza a demanda externa de diesel fóssil. Em 2015, o país importou sete bilhões de litros. Portanto, a nova lei também aumentará o aproveitamento da capacidade da indústria de biodiesel.

À Confederação Nacional de Transporte (CNT), o direto-superintende da entidade, Daniel Tokarski, a indústria está autorizada a produzir 7,5 bilhões de litros por ano. Além disso, atualmente, a produção anual chega a 4 bilhões de litros. “Cada 1% de aumento da mistura significa 600 milhões de litros a mais por ano. Assim, quando alcançarmos o B-10, chegaremos a 5,8 bilhões de litros produzidos anualmente”, diz ele.

Tokarski cita também o impacto ambiental da medida. O biodiesel reduz em 5% as emissões de poluentes em relação ao diesel comum. Ou seja, a ampliação do uso do biocombustível, lembra ele, está alinhada com o compromisso do Brasil firmado na COP-21 (21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) de reduzir as emissões e evitar avanços no aquecimento global. “Essa agenda é totalmente conectada com a tendência mundial de melhorar os aspectos de sustentabilidade dos combustíveis”, ressalta.

Reaproveitamento

A produção do biodiesel tem o óleo de soja como sua principal fonte. Outros produtos que seriam descartados também começam a ser reaproveitados, como a gordura animal, que já corresponde a 20% do que é produzido. A renda dos produtores também aumentou, já que passaram a usar algo que não teria serventia. Mais de 760 mil toneladas de sebo animal viram combustível por ano no país.

Em escala menor, 5%, vêm o óleo de algodão, outras gorduras e óleo de cozinha usado. O último é fonte potencial da indústria, que quer aumentar sua reciclagem. “Os Estados Unidos, por exemplo, utilizam óleo de cozinha para produzir cerca de 12% do biodiesel. Aqui chega a 1%. Temos muito o que avançar”, destaca Tokarski. Para isso, lembra que a população deve fazer o descarte correto do produto, armazenando em potes e procurando pontos de coleta e cooperativas de catadores.

O reaproveitamento do óleo segundo Tokarski, é um benefício para todos. Se for jogado na pia, o óleo pode prejudicar as tubulações, além de contaminar a água e o solo. “Se tirar impurezas do óleo de cozinha, ele já é um biodiesel, já tem um valor muito grande. Então, não se pode jogar fora”, conclui o superintendente da Ubrabio.

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