Desde 02 de março deste ano, os motoristas portadores das carteiras de habilitação das categorias C, D e E, necessárias para dirigir vans, ônibus e caminhões, são legalmente obrigados a fazer o exame toxicológico de larga janela de detecção. Ou seja, o popular teste do cabelo. O que permite identificar o uso regular de drogas nos 90 dias que antecedem a coleta. Da mesma forma, a determinação está prevista na Lei 13.103/15, conhecida como Lei dos Caminhoneiros. Portanto, motoristas C D e E precisam fazer toxicológico de larga detecção.

Apesar da obrigatoriedade dos exames, alguns Detrans entraram com pedidos de liminar na Justiça. No entanto, alegando falta de laboratórios. Além de pontos de coleta e questionando o preço dos exames. Entretanto, segundo o site do Denatran, atualmente já existem mais de 5 mil pontos de coleta no país, em todos os estados brasileiros.

SOS Estradas – Programa de Segurança nas Estradas

Em virtude dessas liminares concedidas, o SOS Estradas fez uma estimativa de quantos motoristas profissionais podem ter recebido a CNH para dirigir coletivos e veículos pesados. Em outras palavras, mesmo sendo potencialmente usuários regulares de drogas. Portanto, foi estabelecido como percentual de possíveis usuários de drogas o índice de 10%. Estimativa mínima encontrada entre os motoristas profissionais na média dos estudos já realizados nos meios acadêmicos. Além disso, em ações do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Rodoviária Federal. A maioria dos dados está disponível no estudo “As Drogas e os Motoristas Profissionais”. Que podem portanto, ser acessado gratuitamente no www.estradas.com.br

Segundo a estimativa do SOS Estradas, pelo menos 8.593 motoristas receberam a CNH, apesar de serem usuários regulares de drogas. Ou seja, nos primeiros 30 dias em que a lei está em vigor, utilizando como base as carteiras emitidas em 2013. Portanto, desses 72% fornecidos pelo Detran de São Paulo, o Estado que representa 34% das CNHs emitidas nacionalmente para as categorias C, D e E.

São Paulo é o único Estado das regiões Sul e Sudeste que não está exigindo o exame.

Foram pelo menos 6.183 motoristas potencialmente drogados em São Paulo contra 677 na Bahia. Portanto o segundo Estado em volume de carteiras emitidas sem a realização do exame. Por outro lado, na avaliação do SOS Estradas, a situação é ainda mais grave. Uma vez que em 2015, segundo dados do Detran de São Paulo, foram emitidas 951.036 carteiras de habilitação nas categorias C, D e E. Com média mensal de 79.253. Portanto, isso indica que São Paulo pode ter liberado pelo menos 7, 9 mil habilitações para motoristas drogados. Ou seja, considerando os 10% de positividade.

Atualmente, apenas nove Detrans do país não estão exigindo o exame e 18 já obrigam os motoristas a atender a exigência da Lei. No entanto, alguns Detrans questionam a efetividade do exame. Mesmo que ele já venha sendo utilizado no Brasil há pelos menos 10 anos. Além disso, companhias aéreas, polícias militares, polícia rodoviária federal e mais recentemente até o Ministério Público Federal, também exigem o exame para ingresso em suas instituições.

Entenda mais:

Por outro lado, na estimativa do SOS Estradas, pelos menos 9.792 motoristas usuários regulares de drogas foram impedidos de obter a CNH. Portanto, deverão aguardar mais 90 dias para se submeterem a um novo teste. Ou seja, sem consumir drogas em todo esse período. Mantida essa tendência nesses Estados, pelos menos 117 mil motoristas usuários de drogas serão impedidos de tirar a CNH. Além de serem compelidos a se submeter a tratamento médico que os impeça de expor a risco suas vidas. Assim como, a vida de terceiros que nada tem a ver com seu vício. Ou seja, nos primeiros doze meses da aplicação da lei. Portanto, levando-se em conta somente os 18 Estados que já exigem o mesmo.

Na avaliação do SOS Estradas, além dos acidentes evitados e das vidas poupadas nas rodovias e nas ruas onde se exerce o transporte urbano coletivo, levando-se em conta que os veículos pesados representam menos de 4% da frota, mas estão envolvidos em 40% dos acidentes com vítimas fatais, a retirada de motoristas usuários de drogas da pista, irá permitir que busquem o devido tratamento. Além de combater e mesmo impedir a concorrência desleal. Ou seja, quem se vale de substâncias psicoativas para cumprir suas jornadas e tira o frete de quem não usa. Portanto, aceitando condições irresponsáveis que somente sob efeito de estimulantes químicos é possível suportar.

O que alerta Rodolfo Rizzotto, Coordenador do SOS Estradas:

Rodolfo Rizzotto, Coordenador do SOS Estradas, alerta ainda que os Estados que obtiveram a liminar que libera o motorista da exigência do exame, poderão ter uma corrida dos motoristas usuários de drogas para renovar logo a CNH. Ou seja, antes da exigência de o exame voltar a vigorar, com o julgamento do mérito da matéria.

“Em São Paulo, não existe possibilidade de alegar falta de laboratórios e pontos de coleta. Portanto, assim como em todos os Estados brasileiros, a rede de coleta que atua em atendimento aos seis laboratórios credenciados pelo órgão máximo de trânsito federal (DENATRAN), soma mais de 5 mil laboratórios. Consequentemente, rede suficiente para atender à demanda. Portanto, a liminar, que tem caráter precário, tende a cair. Ou seja, nesse caso, os motoristas que receberem a CNH nesse período e forem usuários de drogas estarão com uma licença para matar fornecida pelo Detran de São Paulo”. Aponta Rizzotto.

Nos EUA, onde grandes transportadoras vêm utilizando o exame há 10 anos, o índice de caminhoneiros usuários de drogas caiu para praticamente zero nestas empresas.  Assim como os acidentes com profissionais sob efeito de substâncias psicoativas. No entanto, exames toxicológicos para motoristas profissionais são utilizados naquele país desde 1988. Portanto, os resultados dos exames toxicológicos de larga janela estimularam o Congresso Americano a aprovar, em dezembro passado, o uso do teste do cabelo como opcional ao teste de urina, utilizado pelas empresas desde 1988.

Portanto não se esqueçam. Motoristas C D e E precisam fazer toxicológico de larga detecção.