Sempre que alguém recebe uma autuação por desobediência ao semáforo, a primeira justificativa que vem à mente é de que “não passei no vermelho, estava amarelo”.  Portanto, como já ouvimos opiniões e comentários de pessoas (autoridades ou não) que no amarelo é para diminuir a velocidade e parar. Ou seja, não aumentar a velocidade para passar, entendemos que o assunto mereça algumas reflexões. Portanto, devemos entender o sinal amarelo como indicativo de que se deve parar e não acelerar.

Quando se trata da sinalização semafórica, que ao abordar as cores nos orienta que a função do amarelo é indicar atenção. Portanto, devendo o condutor parar o veículo, salvo se isto resultar em situação de perigo para os veículos que vêm atrás. Em outras palavras, ocorre que o descumprimento desse dever aparente, quando em princípio não haja veículos atrás, não se constitui em infração, ou seja, seguir ao invés de parar não é infração. Quando falamos em segurança, a reação mais prudente é entender o sinal amarelo como indicativo de que se deve parar e não acelerar.

Entenda melhor sobre: sinal amarelo como indicativo de que se deve parar e não acelera

Nossa afirmação de que não parar no amarelo não é infração é perfeitamente sustentada pela tipificação trazida no Art. 208 do CTB. Ou seja, que se constitui em infração “avançar o sinal VERMELHO do semáforo ou de parada obrigatória”. Portanto, não há qualquer dúvida de que a infração só ocorre nessa situação. Uma discussão que pode merecer um questionamento próprio é se a infração ocorre ao transpor o semáforo (o equipamento em si) ou o cruzamento por ele disciplinado. Por outro lado, pode haver semáforo que não está instalado em cruzamento, e o Art. 208 não diz “transpor o cruzamento cuja sinalização semafórica esteja na cor vermelha”, ou coisa parecida.  Isso tem relevância se o semáforo estiver instalado antes ou depois do cruzamento. Ou seja, especialmente nos locais onde o equipamento eletrônico vier a decidir em qual momento ocorreu a infração.

A previsão do Art. 208 do CTB, como vimos, prevê tanto a situação do semáforo quanto da parada obrigatória. Ou seja, são os cruzamentos nos quais existe a placa R-1 (Parada Obrigatória). Portanto, é recomendável que o agente faça tal diferenciação ao autuar.  No entanto, vale lembrar que essa infração não ocorre nos cruzamentos cuja placa seja a R-2 (Dê a Preferência). Que, então, muitas vezes está escrito equivocadamente “Pare Preferencial”.  Nesse caso é aplicável o Art. 215 do CTB, e só quando há outro veículo presente que teria a preferência.