Aprovada em reunião no dia 17/6, resolução prevê que os veículos destinados ao transporte escolar não estarão mais excluídos da obrigatoriedade do uso de equipamentos de retenção infantil. Que, portanto está previstos na resolução 277 de 2008. Para a Ong Criança Segura estamos diante de um claro avanço na segurança infantil. Ou seja, ao transportar crianças, uma vez que as cadeirinhas são a forma mais segura do transporte de crianças em veículos. No entanto, chamamos atenção para a necessidade de instalação das cadeirinhas em cinto de três pontos.

Em resolução aprovada no último dia 17/6 o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) obriga os veículos de transporte escolar a utilizarem os devidos dispositivos de retenção (cadeirinha) para crianças de até 7 anos e meio. Conforme a legislação, crianças de até 1 ano devem ser transportadas no “bebê-conforto”. Assim como as crianças entre 1 e 4 anos de idade em cadeirinhas com encosto e cinto próprio. Os assentos de elevação que utilizam cinto de segurança que ficam na altura do pescoço da criança, devem ser usados para crianças entre 4 a 7 anos.

A regra já vale para carros de passeio. Ou seja, não para transporte coletivo, como vans e ônibus, de aluguel, táxis e os demais com peso bruto superior a 3,5 toneladas. Portanto, estes continuarão desobrigados de oferecer cadeirinha. Ou seja, vans e ônibus que não sejam de transporte escolar.

O que diz Gabriela Guida de Freitas, coordenadora nacional da Ong Criança Segura, sobre o transporte de crianças:

“A forma mais segura de transportar crianças nos veículos é na cadeirinha. Então entendemos que a decisão do Contran representa um avanço para a segurança infantil no trânsito. No entanto, chamamos atenção para uma questão: para que a cadeirinha garanta a proteção da criança no veículo, é fundamental que ela seja instalada corretamente. Ou seja, em cintos de três pontos. Por outro lado, a maior parte da frota de transporte escolar conta apenas com os cintos de dois pontos”. Explica

As cidades, vias e veículos foram projetados para a utilização e circulação de adultos. Ou seja, não para o transporte de crianças. Portanto, as crianças encontram-se em grande desvantagem. Seja no tamanho das ruas, nas alturas dos veículos e na segurança interna dos mesmos. Elas são extremamente vulneráveis. Além disso, seu corpo ainda não está completamente desenvolvido. O que as deixa mais suscetíveis a lesões. Ou seja, sua cabeça é mais pesada, seu tamanho pequeno facilita sua movimentação entre os vãos livres em casos de impactos e o não uso de equipamentos de retenção. Por exemplo, crianças de até quatro anos sem a devida proteção estão expostas a um risco duas vezes maior. Em outras palavras, de sofrer ferimentos graves ou vir a óbito.

“Como o trânsito é uma interação entre vários veículos, nem mesmo o motorista mais prudente pode evitar um acidente. No entanto, sabemos que, se corretamente instalados, os dispositivos podem evitar 71% dos casos de morte. Assim como 69% das hospitalizações”. Completa.

Acidentes de trânsito

Em 2012, segundo o Datasus, 1.862 crianças de até 14 anos morreram vítimas do trânsito. Deste total, 31% corresponderam aos atropelamentos, 30% aos acidentes com a criança na condição de passageira do veículo, 9% como passageira de motocicleta, 7% na condição de ciclista e os 23% restantes corresponderam a outros tipos de acidentes de trânsito. Além das mortes, 14.720 crianças foram hospitalizadas vítimas de acidentes de trânsito.

Vale ressaltar que analisando o perfil dos acidentes de trânsito fatais envolvendo crianças. Depois disso, nota-se uma mudança de perfil, a representatividade dos atropelamentos vem diminuindo. Ou seja, 39% em 2011, 31% em 2012 e 30% em 2013. Por outro lado, dentre as mortes infantis no trânsito, os óbitos em eu a criança estava dentro de um veículo aumentou 26% dos casos em 2011, e 30% em 2012 e 2013. Certamente esses dados têm relação com a mudança do estilo de vida, as pessoas andam menos a pé e também ao incentivo para a compra de veículos.

Em 2012, 547 crianças morreram e 1.386 foram internadas vítimas de acidentes como ocupantes de veículos

Testes de colisão mostram que, num acidente, uma criança de 10 kg, em um carro com velocidade de 50 Km/h, passa a ter 500 kg ao ser lançada para frente. Ou seja, mesmo no colo, uma mãe nunca conseguiria segurar a criança nessa situação ou poderia esmagá-la.

“A melhor proteção para as crianças no carro é o uso do bebê conforto, cadeirinhas e assentos de elevação, de acordo com o peso delas. Esses itens passaram a ser obrigatórios desde 2010. O cinto de segurança é projetado para pessoas com no mínimo 1,45m de altura e por isso não protege as crianças dos traumas de um acidente”. Alerta Gabriela.

Os tipos de dispositivos e como utilizados podem ser visualizados no Guia da Cadeirinha, disponível aqui. A obrigatoriedade do selo do Inmetro nas cadeirinhas fabricadas e comercializadas no Brasil é uma das conquistas em prol da sociedade para a qual contribuiu a Ong CRIANÇA SEGURA. “Essa certificação é muito importante, já que uma cadeira de segurança somente recebe o selo após passar pelos testes que garantem sua eficácia no caso de colisão”. Finaliza.